O poder corruptor do dinheiro

 O dinheiro corrompe?


  Influenciado pela interferência de Baco, o Catual declara um ultimato aos navegadores portugueses:  estes deverão entregas as mercadorias que levam consigo; caso contrário, não regressarão a Portugal. Dificilmente adepto da índole gananciosa do Catual, o poeta desatar a expor as suas reflexões acerca do poder corruptor do dinheiro (“Faz tredoros e falsos os amigos; Este a mais nobres faz fazer vilezas (…) Este corrompe virginais purezas”). Mas serão estas reflexões ainda atuais?

  Talvez fosse incorreto afirmar que o poder corruptor é um aspeto intrínseco ao dinheiro e testemunhável em todos os magnânimos deste mundo. Contudo, tão ou mais incorreto seria afirmar que o dinheiro de alguma forma está relacionado a essa força que corrompe o ser. O dinheiro leva a que, em todos os quatro cantos do mundo, pessoas de cores, rostos e nacionalidades diferentes pratiquem esquemas financeiros e desrespeitem a Lei. No entanto, todas essas pessoas têm certas características em comum: são pessoas já ricas e estabelecidas e acionam estratégias marginais para alcançar ainda maior riqueza. Ninguém levaria a cabo esquemas destes sem beneficiar de um grande sentimento de impunidade (um sentimento de aparente superioridade perante Lei) e de uma profunda ganância - fatores intimamente relacionados ao dinheiro e, precisamente, ao seu poder corruptor. E, como é óbvio, não é necessário ser tão amplo e dizer que existem corruptos por todo o mundo. É possível assinalar exemplos concretos, como o de José Sócrates ou o de João Rendeiro.

  Além disso, o dinheiro tem o poder de fazer com que algumas pessoas olhem “para baixo” com desdém. Isto é algo muito longe de ser comum entre todas as pessoas que beneficiam de abundância, mas tanto a cultura pop como os nossos olhos capturam este fenómeno diariamente. Existe quem, graças à sua condição de riqueza, observe os mais pobres como seres menos dignos, revelando uma visão imensuravelmente ofensiva do género humano – uma visão em que a sua dignidade depende ou está sequer relacionada às suas posses. Este comportamento é bem capturado no consagrado filme “Parasita”, em que uma família rica age de forma representativa ao descrito perante uma família pobre.

  Parece óbvio concluir, deste modo, que o dinheiro tem mesmo o poder de corromper a moralidade do Homem, tal como Camões defendeu numa das suas reflexões em “Os Lusíadas”. Uma corrupção que leva a práticas ilegais e à formação de uma conceção de superioridade sobre os menos ricos. Sabemos que esta corrupção não é comum a todos os abastados, mas também sabemos que ela vive na sociedade e que pode bater à porta de qualquer um.

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